Quando a Apple jogou o iPhone 12 Pro no mercado lá pelo final de 2020, o recado foi bem claro: entregar uma máquina capaz de mastigar tarefas pesadas sem pedir arrego. E logo de cara, batendo o olho nas entranhas do aparelho, a gente entende a proposta. Estamos falando de um smartphone que chegou rodando o iOS 14 nativo, preparado para o futuro com suporte à rede 5G, além de navegar tranquilamente pelas bandas LTE, HSPA+ e no clássico padrão Gsm Quad Band (850/900/1800/1900). A flexibilidade fica por conta do esquema Dual Sim, combinando a já conhecida bandeja Nano com um eSIM.
Mas o que realmente segura as pontas de tudo isso é o motor sob o capô. A Apple não economizou e enfiou aqui o A14 Bionic, um chipset de 64 bits cuja arquitetura é uma verdadeira aula de otimização de hardware. O processador se divide de forma bem estratégica: são dois núcleos Firestorm acelerando a impressionantes 3.1 GHz pra entregar potência bruta quando o bicho pega, trabalhando lado a lado com quatro núcleos Icestorm de 1.8 GHz, focados exclusivamente em manter a eficiência energética.
Para completar esse pacote de performance, temos uma GPU proprietária de 4 núcleos e 6 GB de RAM. Se você é do tipo que acumula milhares de arquivos, essa versão topo de linha com 512 GB de armazenamento interno é um baita respiro. E é um espaço crucial, já que, seguindo a tradição da marca, não rola expansão de memória via cartão microSD.
Design e a Experiência Visual
Segurando o aparelho, você sente que as dimensões de 146.7 x 71.5 x 7.4 mm distribuem incrivelmente bem os seus 189 gramas. A carcaça traz certificação de resistência à água e um vidro frontal muito robusto, protegido pela tecnologia Ceramic Shield, que dá uma tranquilidade a mais contra aquelas quedas acidentais no asfalto.
O display é um show à parte. A Apple optou por um painel Super Retina XDR OLED de 6.1 polegadas. O nível de detalhe é absurdo graças à resolução de 1170 x 2532 pixels, que resulta numa densidade cravada em 460 ppi. Isso se traduz em 16 milhões de cores estourando na tela com um contraste profundo. A taxa de atualização ficou travada nos 60 Hz – uma escolha bastante discutida frente aos concorrentes que já ostentavam telas mais fluidas na época –, mas o painel não deixa de ser impecável na precisão da imagem.
O Setup Fotográfico e Gravação em 4K
Para quem trabalha com imagem ou só quer fazer os melhores registros, o conjunto de câmeras traseiras do 12 Pro entrega um hardware muito parrudo. São três lentes com sensores de 12 Mp cada, entregando imagens com resolução de até 4000 x 3000 pixels. A brincadeira fica séria com as aberturas de F 1.6, F 2.0 e F 2.4, amparadas por sensores de 1/3.4″ e 1/3.6″. Na prática, o aparelho te dá desde uma captura ultra-angular com um amplo campo de visão de 120 graus até uma teleobjetiva com zoom ótico de 2x. Toda a captura é refinada de forma invisível por uma estabilização ótica (OIS) afiada, foco por toque, autofoco rápido, HDR nativo, dados de localização embutidos na imagem e suporte de um flash Dual LED para iluminar o que for preciso à noite.
A câmera frontal não fica atrás e acompanha a mesma proposta de excelência, entregando 12 Mp com abertura F 2.2. Ela não apenas lida com as selfies e vídeo-chamadas, mas é a base do robusto sistema de detecção facial da Apple e possui estabilização eletrônica (EIS), além de também usar HDR.
Se você produz vídeo, os números são igualmente agressivos. Tanto o setup principal quanto a lente frontal cravam gravações na resolução máxima de 4K (2160p) a 60 fps. O sistema garante uma estabilização de vídeo quase imperceptível de tão suave, gravação de som em estéreo, suporte nativo a vídeo HDR e a conveniência de tirar fotos sem precisar pausar a gravação. Quer algo mais dramático para uma edição? A lente traseira suporta gravações em Slow Motion alcançando uma taxa de 240 fps.
Conectividade, Sensores e Autonomia
Falando em conectividade, o smartphone está munido de Wi-Fi 6 (abrangendo 802.11 a/b/g/n/ac/6) e a função nativa de Wi-Fi hotspot para compartilhar a sua rede. O Bluetooth está na versão 5.0 com perfis A2DP/LE, e a porta de comunicação física ainda é o cabo proprietário da marca, operando com velocidades de USB 2.0. O chip NFC garante as transferências e pagamentos por aproximação, enquanto o módulo de localização GPS mapeia as principais constelações de satélites globais (A-GPS, GLONASS, BeiDou, Galileo, QZSS).
O aparelho esconde dezenas de utilitários trabalhando em segundo plano. A lista de sensores engloba barômetro, acelerômetro, giroscópio, bússola e sensor de proximidade. A comunicação limpa em chamadas e o uso do viva-voz ganham o belo reforço de um microfone dedicado para redução de ruído ambiente, trabalhando lado a lado com o motor de vibração interno. Rádio FM ou módulo de TV digital? Esqueça, a Apple nunca deu bola para essas funções e não foi aqui que ela mudou de ideia.
Para empurrar esse pacote de tecnologia o dia inteiro, o 12 Pro esconde uma bateria de Lítio com 2815 mAh. Pode até soar pouco quando se olha apenas para os números crus das fichas técnicas concorrentes, e é uma capacidade que levantou seus debates. A mágica da sobrevida desse aparelho, na verdade, reside em como o iOS consegue extrair leite de pedra junto aos núcleos Icestorm do processador, balanceando o consumo de energia para que o celular não apague no meio da tarde.