O mercado de mineração de ferro movimenta bilhões diariamente, abrigando desde corporações gigantescas focadas em bater recordes de exportação até projetos menores que ainda buscam seu lugar ao sol. Dois exemplos claros desse contraste vêm sendo acompanhados de perto pelos investidores: a brasileira CSN Mineração, que passa por um ciclo robusto de expansão, e a canadense Oceanic Iron Ore, que recentemente chamou a atenção por quebras técnicas em suas ações.

O peso da CSN Mineração no Brasil

Nos bastidores da B3, os papéis da CSN Mineração (CMIN3) registraram uma leve retração no último pregão. A ação fechou cotada a R$ 4,92, marcando uma queda pontual de 0,61%. Durante as negociações do dia, o ativo oscilou entre a mínima de R$ 4,82 e a máxima de R$ 4,96, girando um volume financeiro que ultrapassou a marca de R$ 27,9 milhões.

Hoje, a companhia ocupa o posto de segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil. O volume impressiona. Ela possui cerca de 3 bilhões de toneladas em reservas, dado chancelado pelo Joint Ore Reserves Committee. Controlada pelo grupo CSN, a mineradora concentra suas operações em dois complexos principais: a mina do Namisa e a da Casa de Pedra. Esta última é bastante prestigiada pelo mercado, sendo responsável por produzir um dos minérios de mais alta qualidade de toda a região.

Reestruturação do capital e metas agressivas

Um capítulo crucial da história recente da empresa foi o seu IPO. Antes de abrir o capital, a CSN era dona de quase 90% da unidade de mineração, enquanto um consórcio de empresas asiáticas controlava a fatia restante. Quando a oferta pública aconteceu, a própria CSN e sócios como a Posco e a Japão Brasil Minério de Ferro Participações (JBMF) aproveitaram a janela para vender parte de suas ações. Mesmo após a venda, esses grupos estrangeiros decidiram continuar como acionistas. A CSN, por sua vez, diluiu um pouco sua posição, mantendo cerca de 77% de participação no negócio.

Vender essa parcela da empresa teve um motivo claro. A administração precisava levantar caixa para reduzir os níveis de endividamento da companhia. Contudo, os prospectos da oferta já deixavam claro que boa parte desse dinheiro também financiaria planos ambiciosos de crescimento. O radar da mineradora aponta diretamente para o projeto Itabirito P15 e para os projetos de recuperação de rejeitos nas barragens do Pires e da Casa de Pedra.

A projeção de crescimento da diretoria não é nada discreta. A meta é conseguir adicionar uma produção de 103 milhões de toneladas anuais às operações. Para que isso se torne realidade até 2033, o investimento estimado bate na casa dos R$ 22,7 bilhões. Vale lembrar que a capacidade de produção atual da mineradora gira em torno de 33 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

O avanço técnico da Oceanic Iron Ore no Canadá

Enquanto isso, no hemisfério norte, a dinâmica no mercado de exploração é outra. A Oceanic Iron Ore Corp. (CVE:FEO) viu suas ações cruzarem a média móvel de 200 dias na bolsa de valores durante as negociações de quinta-feira. O papel, que mantinha uma média de C$ 0,84 nesse período, ganhou tração e chegou a bater C$ 0,85 no dia, fechando justamente nesse patamar após movimentar cerca de 205 mil ações.

Analisando o quadro geral, a ação da exploradora acumula uma pequena queda de 1,2%. A média móvel de 50 dias da empresa se encontra atualmente em C$ 0,89. O valor de mercado da Oceanic Iron Ore reflete o tamanho de uma empresa ainda em estágio de prospecção, sendo avaliada em C$ 186,68 milhões. Os indicadores financeiros também mostram o perfil de risco do ativo. O índice de preço sobre lucro (P/L) está negativo em -1,00, com um beta volátil de 2,91. O endividamento é alto, com a relação dívida/patrimônio líquido batendo 15,79, enquanto os índices de liquidez corrente e seca ficam nos modestos 0,03 e 0,43.

Domínio territorial na Baía de Ungava

A companhia, que antes de novembro de 2010 operava sob o nome de Pacific Harbour Capital Ltd., concentra 100% de seus esforços na propriedade de Ungava Bay. Localizada na gélida região de Nunavik, no Quebec, a área abriga formações de ferro vastíssimas, cobrindo cerca de 35.999 hectares. A área se divide basicamente em três projetos exploratórios: Hopes Advance, Morgan Lake e Roberts Lake.

Plataformas de inteligência financeira geram alertas automáticos rápidos sobre essas movimentações técnicas de alta e baixa. Analistas observam o rompimento da média móvel como um sinal interessante, porém, grandes veículos de pesquisa mantêm certa cautela. O MarketBeat, por exemplo, acompanha diariamente as recomendações de compra em Wall Street e não incluiu a Oceanic Iron Ore na sua mais recente lista de cinco principais ações sugeridas aos clientes, indicando que o mercado maior ainda prefere observar os resultados da exploração de longe antes de aportar grandes quantias no projeto canadense.